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sexta-feira, 2 de setembro de 2016

O Brasil segue dividido

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O Brasil segue dividido

Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, a aprovação do afastamento de Dilma Rousseff (PT) pelo Senado, além de ser “um dia histórico” ao país, marcou o momento de “virar a página”. Na outra ponta, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) anunciou luto ao adotar a cor preta em seu site. “O golpe é contra o povo”, declarou a entidade.
As duas manifestações registradas ontem, logo após a votação no Senado, simbolizam a divisão do Brasil nos últimos meses. Uma crise sem fim que colocou em lados opostos cidadãos comuns, autoridades e políticos. Agentes de um processo que atrasou ainda mais a recuperação econômica e só distanciou a luz no fim do túnel de quem não sabe mais como enfrentar tantos problemas, nos lares, no comércio, na indústria.
Para a CUT, o futuro será pior. Haverá, na visão da Central, a redução ou extinção de direitos conquistados desde a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) de 1943, até os programas sociais da Constituinte de 1988.
Olhar diferente da Fiesp, que vê o ajuste fiscal como “a mãe de todas as reformas”. A Federação tem um discurso otimista, embora reconheça a crise. “Chegou a hora de voltar aos trilhos da confiança, do desenvolvimento, da gestão eficiente, da boa governança, do crescimento e da geração de empregos e riquezas.”
As frases de efeito lançadas ontem, como foi dito, mostram lados em choque na relação do impeachment de Dilma. Certos ou errados, o fato é que ambos estão inseridos profundamente, assim como toda a sociedade, na crise arraigada nos setores que movimentam o país.
O afastamento definitivo da agora ex-presidente ocorreu no mesmo dia em que o Brasil sacudiu com o novo resultado trimestral do Produto Interno Bruto (PIB): queda de 0,6%. Em relação ao mesmo período de 2015, o tombo foi ainda maior, de 3,8%. A retração semestral já é de 4,6%.
A decisão que tirou Dilma do poder não será revertida. Caberá a Michel Temer (PMDB) mostrar que pode ser melhor gestor do que ela e resgatar a credibilidade do Brasil. Não será uma tarefa fácil, pois ele não tem a simpatia (aprovação) da maioria da população e sobre seu colo recai todo o peso do resultado do processo. A partir de agora, Temer colherá ou os frutos ou as consequências de seus atos.
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